Búzios como você nunca viu

Diana Damasceno, professora da UVA, escreve livro sobre o balneário mais famoso do Brasil

Por Anneliese Lobo

Escrever um livro sobre Búzios parece até lugar comum. Quem sabe uma forma de plagiar a ideia da atriz Brigitte Bardot, que divulgou os atrativos naturais da cidade pelos quatro cantos do mundo ainda na década de 60. Sem falar neste ano em que Búzios foi homenageada com o prestígio do horário nobre da Rede Globo de televisão, com a novela Viver a vida, de Manoel Carlos. Mas, certamente, Búzios nunca havia sido revelada como agora com a obra Armação pura – o sonho de viver em Búzios, de Diana Damasceno.

Vários alunos, colegas de trabalho e amigos marcaram presença na noite de autógrafos, o que garantiu o clima aconchegante que só mesmo essa intimidade consegue gerar. Também estiveram presentes ilustres desconhecidos, como visitantes que souberam do evento por meio da mídia – houve divulgação na revista Boa viagem, de O Globo e na coluna do Ancelmo Góis – além das pessoas que passavam pelo local e, atraídas pela curiosidade, entravam para conferir o que acontecia na livraria Canto da Tartaruga, no Cine Bardot. Para o professor Guilherme Guaral, tudo “combinava com o jeito da Diana: sofisticado e cercado de um ambiente que mesclava erudição e simplicidade”.

- A noite de lançamento significa um contato com o leitor. Ela passa credibilidade quando escritor e leitor se olham nos olhos e o autógrafo sela a parceria entre os dois, comenta a autora.

É incrível como Diana Damasceno consegue ir da água ao vinho, ou melhor, da mais alta “tecniquice” com “linguagem pesada”, profundamente rebuscada, à leveza e descontração. Para quem leu Biografias jornalísticas – o texto da complexidade e agora conhece Armação pura – o sonho de viver em Búzios sabe bem o que se afirma. Enquanto muitos esperavam um olhar jornalístico que apontasse para problemas ou para a tão difundida “pós-modernidade caótica”, veio a surpresa. As histórias são daquelas que, ao ouvirmos, dizemos logo: “Isso dá um livro!” E foi justamente o que ela fez.

- Quando resolvemos morar em Búzios, achei que ia tirar de letra. Já trabalhei em diversos lugares, adoro conhecer culturas diferentes, enfim, acreditei que não teria problemas de adaptação. Mas, mesmo trabalhando bastante, o tão sonhado tempo disponível me matava de tédio e, por ser uma pessoa urbana até o último fio de cabelo, ao me deparar com situações de vida do interior, em vez de surtar, comecei a apurar, me divertir e a escrever o livro, diz Diana.

 

            Para aqueles que já vivenciaram essas mudanças, fica a identificação:

- Meu histórico de vida passa por Niterói, Rio de Janeiro, Nova Friburgo e Cabo Frio desde 1996. O início do livro me trouxe as reminiscências da minha chegada e dos conflitos desse mudar de cenário e da maneira de viver, recorda o também professor da UVA Guilherme Guaral.

            A leitura instiga a imaginação. É um livro que mexe com os sentidos, pois leva o leitor a vivenciar e sentir cada situação como o sabor das iguarias e até mesmo faz arrepiar com histórias de lugares fantasmagóricos. Muitos que já leram comentam das risadas que davam sozinhos com a vida selvagem: coruja surtada, jibóia que passeia pelo quintal e o pica-pau despertador.

- O livro da Diana é um misto de crônicas, reveladora de uma pessoa antenada e detalhista, uma ode à vida, à felicidade, que perpassa todo o texto e um relato apaixonado por uma cultura. Gosto de saborear cada capítulo como um pequeno conto poético, confessa Guaral.

Entretanto, o que mais surpreendeu foi a grande sacada da autora: antes mesmo de lançar o livro, Diana cria o blog O sonho de viver em Búzios para interagir com o leitor.

- O blog é um espaço democrático. Com ele, o livro se torna mais visível, o autor tem um retorno maior e os comentários podem gerar um novo livro, comenta a autora, que já planeja uma nova publicação.

João Phelipe, estudante do 7º período de Comunicação, foi o primeiro leitor a postar comentário no blog. “Cheguei em casa tão curioso para conhecer o trabalho dela, que resolvi ler apenas algumas páginas. Me empolguei tanto que só me dei conta da hora quando comecei a escutar os pássaros cantarem pela manhã. Mas aí já tinha terminado a leitura e, então, fiz a postagem no blog”, explica João, que recomenda o livro a todos os colegas. “Ele é praticamente um guia de viagens alternativo. Em vez de mapas, são crônicas. Muito mais agradável”, completa.

Uma resposta para este post.

  1. Anneliese,
    obrigada por mais essa excelente matéria. Vou linkar o “Comunicação Passando a Limpo” ao “sonhodeviverembuzios”. É muito bom ter coleguinhas como você.

    Responder

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